Desabafo da indignação

Desabafo da indignação

Tanto se falam  em direitos, tantas discussões  intermináveis, sai gestão entra outra, mas o IPI continua subindo, e agradeço por isso porque  ainda sou capaz de comprar  carro ou produtos industriais  absurdamente caros e pagá-los  sem discutir, sem se manifestar, sem pintar as caras de verde amarelo e exigir que  no mínimo os produtos sejam de boa qualidade.

E o que dizer do IPVA? Pago por ele, porque quero continuar andando em ruas mal planejadas, esburacadas, com semáforos queimados, placas de sinalização escondidas, placas de orientação das ruas mal localizadas , porque gosto de ser  assaltada. Não posso deixar de mencionar do meu amigo CIDE, sem ele não teria a oportunidade de viajar, passear, cozinhar, agradeço por ele existir afinal pagar 4 reais pelo combustível é muito pouco para quem depende dele para trabalhar. Para que serve o IPTU mesmo? Se estou andando em ruas que mal se podem caminhar em  calçadas escuras, sombrias, e sujas, na melhor das hipóteses, vejo lugares sem postes para iluminação, e sem saneamento básico.

Aliás de básico não tem nada, mas tudo bem, o importante é ter um barraco para morar porque  há moradores de ruas que estão vivendo ao relento, sem a mínima condição de sobrevivência. Como  tenho um trabalho logo estou  nadando no dinheiro por isso pago pelo IPRF, que para aliviar o meu bolso, o  governo se usou de misericórdia e dividiu para mim em até 8 vezes para devolver com tranquilidade, o valor que me pagaram de salário  durante o ano, sou tão abençoada pelo governo que quando liquido a dívida do imposto de renda, vem o IPVA, IPTU, tudo de novo, sem mencionar aqueles que já pago sem saber, pois estão embutidos na conta de luz, água, na cesta básica, quando movimento a conta bancária nem percebo que existe o CPMF, que deveria ser provisória e que virou permanente,  o valor dele é tão insignificante que não faz falta.

Além dos tributos serem tão poucos, sobra dinheiro para pagar escola, plano de saúde. Mas também existe a opção de escolher serviços públicos como a educação, e saúde.  A grande realidade é que pago muito caro para sobreviver nesse país tão rico, mas tão  pobre nos setores básicos como, educação, saúde, saneamento básico, alimentação e, transporte.

A questão está relacionada ao retorno dos tributos a qual pagamos. Aqui nada é contribuído, tudo é obrigatoriamente pago, e muito bem pago.  Segundo ministro de minas e energia Moreira Franco disse  que de forma injusta os governos ao longo do tempo  tem elevado a carga tributária para compensar seus problemas fiscais. Moreira Franco: “Não dá mais para se viver com impostos tão altos em setores tão indispensáveis para os brasileiros. “ ( Fonte: Exame).

Mesmo com essa declaração, os impostos aumentaram abusivamente sem controle fiscal, segundo o presidente da IBPT Instituto Brasileiro  de Planejamento e Tributação, João  Eloi Olenike revela que de 2015 até o ano presente, a carga tributária subiram 12 vezes. Só esse ano duas vezes,  no mês de março por decreto, o governo elevou o IOF , a alíquota passou de 0,38% para 1,1% para quem envia dinheiro para o exterior, para contas da mesma titularidade, segundo Eloi esse aumento tributário só irá prejudicar o cidadão. ( Fonte: IBPT)  a cada segundo o impostômetro calcula o valor tributário arrecadado, até agora o Brasil já está com a conta cheia no valor de 1 trilhão, 729 bilhões, 612 milhões, quando os impostos são bem aplicados, o brasileiro teria boas condições de viver aqui, realmente o Brasil seria o país de Gonçalves Dias …”as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”, mas  segundo a IRBES  Índice de Retorno e Bem Estar Social, no ranking o Brasil é 30° colocado ou seja, paga-se imposto demais, mas retorno de menos. (Fonte: Impostômetro), a realidade é que os impostos são canalizados intencionalmente para  surtir o  efeito dominó.

O estado é obrigado a assegurar serviços públicos de qualidade a toda população brasileira, um exemplo é a educação,o Brasil gasta anualmente em educação pública cerca de 6% do Produto Interno Bruto ( PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país). Esse valor é superior à média dos países que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 5,5%, (Fonte: Agência Brasil), diante dessa realidade, as escolas deveriam ser de qualidade de ensino mas  infelizmente pais são  obrigados a investir para formação acadêmica do filho, porque nas escolas públicas subtraem dos professores cursos de formação, tecnologia de ensino, salários, materiais adequados para trabalho, e dos alunos conhecimentos, com a intenção de serem cidadãos dependentes e carentes do governo, pois pensadores dão muito trabalho.

Que  país é esse, cujos pacientes morrem nos corredores dos hospitais por falta de recursos hospitalares e médicos qualificados, quando se tem a sorte de ser atendido, precisa economizar na compra do feijão para se ter o remédio. Que país é esse que se aluga um lugar para morar, sendo que a terra onde piso é solo brasileiro. O que acontece com os valores arrecadados? A classe trabalhadora precisa ter formação de economia política, para entender a estrutura do funcionamento do estado e mudar o modo de produção.

Estamos calados diante de tanta injustiça, vemos jovens dependentes químicos que precisam de um bom atendimento clínico para se limpar, mas estão largados pelo governo. Moradores de ruas sem assistência social, aliás de social não se tem nada. Sou brasileira de alma e do coração na minha veia não corre sangue, mas sim o DNA dos direitos ao serviço público exercido por excelência, da  justiça ao não cumprimento das funções políticas, da anticorrupção, da indignação,  do  grito da reforma imediata do sistema político pelo povo e para o povo, faço minhas as palavras de Bento Gonçalves:

“A causa que defendemos, não é só nossa ela é igualmente a causa de todo o Brasil…” “Nossas vidas começam a terminar no dia em que permanecemos em silêncio sobre as coisas que importam.”Martin Luther King. 

Conheça os principais impostos e contribuições pagos no Brasil

TRIBUTOS FEDERAIS:

II – Imposto sobre Importação.

IOF – Imposto sobre Operações Financeiras. Incide sobre empréstimos, financiamentos e outras operações financeiras, e sobre ações.

IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, cobrado das Indústrias.

IRPF – Imposto de Renda Pessoa Física.

IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Incide sobre lucro das empresas.

ITR – Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural.

CIDE – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico. Incide sobre petróleo e gás natural e seus derivados, e sobre álcool combustível.

Cofins – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. Cobrado das Empresas.

CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira. É descontada a cada entrada e saída de dinheiro das contas bancárias.

CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.

FGTS – Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Percentual do salário de cada trabalhador com carteira assinada depositado pela empresa.

INSS – Instituto Nacional do Seguro Social. Percentual do salário de cada empregado cobrado da empresa (cerca de 28% – varia segundo o ramo de atuação) e do trabalhador (8%) para assistência à saúde.

PIS/Pasep – Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público. Cobrado das empresas.

IMPOSTOS ESTADUAIS:

ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias. Incide também sobre o transporte interestadual e intermunicipal e telefonia.

IPVA – Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores.

ITCMD – Imposto sobre a Transmissão Causa Mortis e Doação. Incide sobre herança.

IMPOSTOS MUNICIPAIS:

IPTU – Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana.

ISS – Imposto Sobre Serviços. Cobrado das empresas.

ITBI – Imposto sobre Transmissão de Bens Inter Vivos. Incide sobre a mudança de propriedade de imóveis. ( FONTE: Jornal do Senado).

“Além de transformarem o Brasil num cassino, viciaram a roleta.”
Millor Fernandes.

  • Por: Katia Kuramoto
  • Natural do Estado de São Paulo
  • Educadora
  • Formada em Letras
Ivone Boechat

Ivone Boechat

É natural do Estado do Rio de Janeiro, Educadora, Autora de 16 livros, membro da Academia Duquecaxiense de Letras e Artes de Duque de Caxias-RJ. Recebeu a Medalha “Lux in Tenebris” do Sindicato dos Professores do Estado do Rio de Janeiro. PhD – Psicologia Educação e Consultora em Educação

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